O jornalista, comentarista esportivo e engenheiro ítalo-brasileiro Claudio Carsughi morreu nesta quinta-feira (10), aos 93 anos, em São Paulo. Ele estava internado há 27 dias para tratar uma infecção respiratória e não resistiu às complicações do quadro.
A notícia foi confirmada pela filha, Claudia Carsughi, nas redes sociais. Em um vídeo publicado no Instagram, ela informou que o pai morreu após semanas de luta contra a doença e pediu aos admiradores do jornalista que fizessem orações em sua memória.
Trajetória de Claudio Carsughi
Considerado uma das referências do jornalismo esportivo brasileiro, Carsughi construiu uma carreira de décadas e ficou conhecido pelo estilo sereno, pelo sotaque italiano, uma vez que nasceu em Arezzo, na Itália, e pela precisão dos comentários.
Aos cinco anos, ele se mudou com a família para Florença, cidade onde nasceu sua paixão pela Fiorentina, clube que acompanharia ao longo de toda a vida.
Em março de 1946, pouco depois do fim da Segunda Guerra Mundial, chegou ao Brasil com a família. Após passar cerca de um mês no Rio de Janeiro, foi para São Paulo, onde estudou no Colégio Dante Alighieri e ingressou na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.
Apesar de ter se formado em Engenharia, Carsughi decidiu não seguir a profissão. Antes disso, ainda adolescente, aos 16 anos, começou no jornalismo como correspondente do diário italiano Corriere dello Sport, dando início a uma carreira que o levaria a algumas das principais redações e emissoras do país.
Na função, Carsughi participou da cobertura da Copa do Mundo de 1950, no Brasil. Ao longo dos primeiros anos de carreira, também colaborou com outras publicações italianas como Calcio e Ciclismo Illustrato, Tuttosport e La Stampa.
Em 1957, ingressou na Rádio Panamericana, que passou a se chamar Jovem Pan. Sua passagem pela emissora se estendeu por quase seis décadas e terminou em abril de 2015. Durante esse período, Carsughi acompanhou cinco edições consecutivas da Copa do Mundo: 1970, 1974, 1978, 1982 e 1986. Também trabalhou nas rádios Bandeirantes e Record, além de atuar em diferentes veículos da imprensa escrita.
Apesar da forte ligação com o futebol, Carsughi também se tornou uma autoridade quando o assunto era automobilismo. Graças à atuação no setor, recebeu o apelido de "Mestre Carsughi".
O jornalista teve passagens pela revista Quatro Rodas, onde exerceu a função de responsável técnico entre 1974 e 1990, Oficina Mecânica e esteve à frente da Auto&Técnica.
A carreira de Carsughi também se estendeu à televisão. Ele trabalhou na ESPN Brasil, onde participou do programa Linha de Passe, e no sportv, emissora na qual comentou futebol, Fórmula 1 e motociclismo.
Em 2015, passou a integrar as equipes da Rádio Nacional e da TV Brasil. Permaneceu ligado à programação esportiva das emissoras até 2017.
Homenagens de jornalistas a Claudio Carsughi
Diversos colegas de profissão homenagearam Claudio Carsughi e prestaram solidariedade à família após a morte do jornalista.
Leonardo Bertozzi, da ESPN, escreveu: "Com seu sotaque inconfundível, sua ponderação e frieza nas análises, Carsughi se destacou nos debates por seu conhecimento impressionante de futebol e automobilismo". E concluiu: "Obrigado por tudo, mestre".
O narrador Fernando Nardini também se manifestou, em resposta à publicação de Claudia Carsughi: "Generosidade, gentileza, sobriedade, conhecimento. Daqueles que dignificam a profissão. Genial Cláudio Carsughi".
Gian Oddi escreveu: "Meus sentimentos, Claudia e família. Carsughi foi referência profissional e de postura para muitos de nós".
(Imagem/Reprodução: The Sporting News)